Archive for the 'vi e recomendo…' Category

Viagem a Marialva (e regresso ao lado inimigo)

19/10/2010

Procurando um sítio para passar uns dias, entre Aveiro e Madrid, descobrimos, um pouco por coincidência, a belíssima aldeia histórica de Marialva e o seu complexo de “turismo de aldeia” das Casas do Côro.

Uma vez estabelecidos e munidos de documentação sobre a zona, começámos o nosso périplo pelas Aldeias Históricas de Portugal (com destaque para a nossa anfitriã Marialva) e pela riquíssima zona do alto Douro e arredores.

Tentando não repetir a informação dos dois links que acima vos deixei, a primeira recomendação vai para as Casas do Côro, excelente projecto de turismo de Aldeia, não só pela localização (Marialva será umas das aldeias mais belas) mas também pela oferta de actividades, muito ligadas ao vinho e à gastronomia, e ainda ao relax dado que o ambiente é de absoluta tranquilidade, como se pode ver pelas fotos.

Embora o preço possa retrair um pouco ao princípio, rapidamente nos apercebemos que o que temos pela frente é uma oferta de experiências memoráveis (e provavelmente irrepetíveis). Por isso, jantar pelo menos uma vez no restaurante das Casas (o Casão do Largo) é obrigatório. Só para vos abrir o apetite, direi apenas que o jantar é constituído por três pratos das melhores iguarias da terra admiravelmente confeccionadas, uma oferta de dois excelentes vinhos da região, e sobremesas conventuais de fazer perder qualquer dieta. A decoração é do tipo romântico, com mesas bastante generosas que deixam espaço à conversa, ambiente tranquilo e excelente atendimento.

Outra experiência obrigatória é o passeio pelo Douro. A equipa das Casas do Côro dispõe de uma lancha para cerca de 8 pessoas ancorada no Cais do Pocinho, e a viagem percorre o Alto Douro vinhateiro, até Barca D’Alva. Para os mais corajosos, há uma paragem para banhos. O almoço está incluído, no restaurante “O Lagar” que demonstrou ser mais uma agradável surpresa (excepcional o arroz de cogumelos). À volta, despedimo-nos do Douro levando connosco o aroma das vinhas daquela que os especialista consideram ser a próxima forte região de vinho (terras de xisto cujos benefícios vitivinícolas são agora descobertos). Levamos também a esperança de que volte a funcionar a saudosa linha de comboio, cujo trajecto tem potencialidades ainda hoje evidentes.

Já em terra, centramo-nos noutro tipo de pedras, as que nos fazem viajar no tempo por muralhas, castelos e aldeias inteiras. As três que visitámos  – Trancoso, Almeida e Penedono – têm em comum a boa conservação dentro e fora das “fortificações”, comuns a todos estes sítios em tempos estratégicos na defesa da fronteira contra os invasores espanhóis.

São aldeias para visitar caminhando, com calma e almoço pelo meio.

De regresso a Madrid, ainda comovida pela beleza destas terras e pela história de que são testemunho, cruzo a fronteira com um pensamento: vimos tantas guerras e tanto sangue derramado na defesa da nossa pátria, para a miséria do país nos obrigar agora a bandear-nos para o lado inimigo.

Ironias do destino que nos fazem pensar que, a final, as guerras vencem-se assim. A História continua e as fronteiras são hoje uma ilusão que se mede pela capacidade que cada país tem de dar uma vida digna e estável à sua gente e evitar que as tenham que cruzar.

Alguns dirão que fracos são os que se vão embora e não o país, mas sobre isso dedicarei outro post. Por agora, fica a esperança de que este vos tenha entusiasmado para ir conhecer a bela aldeia histórica de Marialva.

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Cocido Madrileño – Taberna de la Daniela

10/03/2010

É a estrela do almoço de Sábado de todas as famílias madrilenas. Aquela pela que todos os “gatos” põem as unhas de fora para dizer: “como o da minha mãe não há nenhum”. Diz-se que a tradição se mantém graças ao lado prático deste prato cujas sobras se aproveitam facilmente para qualquer comida durante a semana.
Mas o mais importante continua a ser o prazer de repetir semanalmente o cheiro e o sabor nostálgico que passa de geração em geração, à conta de umas 3 ou 4 horas de trabalho matriarcal à volta dos tachos.
Por isso, os “gatos” acham que ir ao restaurante comê-lo é um desperdício de dinheiro. Eu compreendo que não lhes saiba da mesma maneira.
Também os há, madrilenos, que não gostam do cozido ou, o que é o mesmo, que gozam de ausência de matriarcas madrilenas na família.

Outros, estrangeiros como nós, sofremos daquele entusiasmo típico dos desavergonhados sorvedores do alheio! A nós sim, felizmente é-nos permitido experimentar sem pudor, copiar, retalhar receitas e provar os restaurantes. E tão contentes que ficamos!
Assim o fizemos por algumas vezes, a última das quais adentrando-nos pela Taberna de la Daniela, onde acedemos à esfera dos nativos numa tentativa totalmente sucedida de fugir ao circuito turístico.

É entrar, sentar e comer. É Sábado e, obviamente, não se vê a carta: a mesa está posta para o cozido e é o que há! Não se vê mesas de menos de 4 pessoas. Começa por chegar a sopa, numa generosa terrina. A sopa do cozido é o caldo de cozer os ingredientes com umas massinhas a nadar. Nele apreciamos e adivinhamos os sabores de tudo o que virá a seguir: uma bandeja com as carnes e os enchidos e outra com as verduras (batatas, cenouras, couve lombarda) e os grãos. A sopa sobra, mas a terrina fica na mesa para podermos regar os grãos com o caldo. Acompanha também um molho de tomate, com alho e ervas.

São mais de duas horas a consolarmo-nos com este repasto, bem elaborado e com ingredientes da melhor qualidade. Demoramos tanto por três motivos: porque nos distraímos a conversar, porque é muita quantidade e porque surpreendentemente nenhum empregado nos pressiona. Parecem querer que comamos tudo, mas como é impossível, acabamos por ter que chamar à recolha. Ah, claro, é que também queremos guardar espaço para provar as sobremesas: dizem que todas são boas, mas do que provei dou o melhor voto à tarte de queijo, embora a de maçã não seja de menosprezar.
O atendimento é amável e ausente na medida justa para nos deixar apreciar ao nosso ritmo sem nunca nos deixar desatendidos.
O mais importante: experiência totalmente bem sucedida.

Taberna de la Daniela (General Pardiñas, 21 / tel: 0034 91 575 23 29 – reservar antes).
Para os que quiserem viver uma experiência de cozido mais classy, não posso deixar de recomendar o
Lhardy, pela experiência de comer num dos restaurantes mais antigos de Madrid.

PS: O marido diz que o meu cozido é o melhor (defeito de madrileno, ainda que de adopção). Para não deixar ninguém com água da boca, deixo-vos a minha receita (pessoalíssima) no nosso blog We Are Food

A Granada dos Gatos

12/11/2009

Os verdadeiros donos de Granada, em especial da Alhambra, são os gatos!

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Sobre esta viagem dedicarei espaço daqui a uns dias, mas para já ofereço-vos estas imagens. Para uma amante dos felinos como eu, avistamentos como estes fizeram-me gostar ainda mais desta cidade, dos seus palácios e suas fontes.

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Digressão pelo País Basco

29/10/2009

VISTA SanSebastian

Neste Verão que nos deixa já saudades, demos uma volta de oito dias pelo País Basco, em muito boa companhia (e a agradável ajuda do GPS).

Contámos com a ajuda de amigos bascos, entre outros, para desenhar um percurso orientativo (principalmente para ser desrespeitado, como convém aos percursos de viagem…) e levar algumas referências, e partimos com a ideia de uma grande viagem para terras de infinita beleza, rica cultura e gastronomia, gentes amigáveis e o mito de San Sebastián como “a cidade mais bela de Espanha”. Chegámos cansados de tanta beleza e riqueza cultural, mas confesso que esperávamos mais das gentes e de San Sebastián.

É uma região que nos inunda de beleza até cansar e, ao mesmo tempo, demora o seu tempo a digerir.

Isso sim, uma viagem obrigatória e totalmente bem sucedida!

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Prémios VIDA 11.0

23/02/2009

First Prize

Hylozoic Soil (Terreno hilozoico)
Philip Beesley y Rob Gorbet
Canadá, 2007

The work of this architect constitutes a vestibule through which we, the visitors, will pass into another space and time, a biometric environment, a reactive space. This transformation occurs as we enter an organic and living system. These quasi-plants all synthetic come to life in the space, retracting, contracting, slackening and opening as we pass, creating in us a sense of both wonderment and anxiety. They trigger an emotional response from visitors, prompting them to question the boundaries between nature and artifice and examine their own organic condition as they interact with technology.

www.philipbeesleyarchitect.com
www.fundacion.telefonica.com

17 Bandeiras

11/02/2009

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Do terraço do Circulo de Bellas Artes em pleno coração de Madrid, surpreendem os telhados dos edifícios emblemáticos que ladeiam a Gran Vía em direcção à praça da deusa Cibeles. Descobre-se que pouca gente vive no eixo central desta capital pela fraca presença de outros terraços habitados onde se possa cuscuvilhar a vida alheia de madrilenos em sonolência da cesta do primeiro Sábado de sol desde há muito. O primeiro impulso de um português do litoral é procurar o mar… não vale a pena.

Na ausência desse vislumbre, entretemo-nos a contar bandeiras: 17 no total numa amplitude de pouco mais de 180º, incluindo a bigalhona da Plaza Colón (Colombo, assim chamado por estas bandas), não vá o mais distraído esquecer-se do país onde está e dos seus valores mais altos! É muito interessante e recomenda-se a visita a este céu de Madrid.

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Um filme de Natal

27/12/2008

A história é conhecida. Nasceu um menino e três reis põem-se a caminho. Levam ouro, incenso e mirra. A história é contada em traços largos no Evangelho de S. Mateus e com mais detalhe no filme El cant dels ocells (O canto dos pássaros) de Albert Serra. Com mais detalhe, porque nos mostra a travessia do deserto de três sábios ao encontro daquele que uns anos mais tarde, já crescido, viria a ser conhecido por uma frase: Eu sou o caminho.

Não nos dizem que o cinema é uma máquina de sonhos? Pois em O canto dos pássaros há-os para todos os gostos. Sonhos sobre anjos, principalmente sobre anjos, mas também sobre serpentes e cabras. E, sobretudo, como tornar o caminho ainda mais dificultoso: subir a uma nuvem gelada.

Há filmes que em vez de mitos preferem contar-nos milagres. E é um milagre haver um filme como O canto dos pássaros. Um dos mais belos filmes sobre o Natal.

Londres

20/10/2008

Sem dois homens Londres seria uma cidade totalmente diferente. Um, tratou-lhe das coisas do céu, outro, das coisas da terra ou, melhor dito, das coisas que passam debaixo da terra.

Christopher Wren construiu igrejas como quem constrói observatórios astronómicos. Joseph Bazalgette fez com que o Tamisa deixasse de ser um rio de cólera.

O primeiro construi a Catedral de São Paulo, de onde se pode ver Deus, mas principalmente Londres. O segundo construiu Victoria Embankment, entre outros, para que no Tamisa, em vez de merda, flutuasse Londres.

Se a arquitectura e a engenharia procuram a eternidade, ela encontra-se nas fundações: seja na lápide funerária de Wren, seja no sistema de esgotos de Bazalgette.

Subindo os 528 degraus até à Golden Gallery da Catedral de São Paulo, percebe-se quão difíceis são os caminhos do Senhor. Na cúspide, Londres está a teus pés. Pés bem assentes sobre os terraplenos de Bazalgette.

Espanha – Viagem ao Parque Temático da Língua

10/10/2008

Depois de vivida e feita uma viagem por Espanha, podemos dizer que o país é bonito e a gente é boa. Deixarei para depois uma análise mais sociológica porque ainda me falta absorver e processar alguma informação, mas posso partilhar aquilo que se destaca de uma passagem breve “em diagonal” (de Alicante à Galiza): parece que viajámos ao Parque Temático da Língua – cada sítio tem a sua. Read the rest of this entry »

10/10/2008

Enfim, a viagem teve a sua surpresa e em vez de dizermos “que bonito este castelo”, estávamos mais distraídos a dizer “que giro, isto aqui diz-se assim”

Mas ficaram-nos outras coisas para recordar: destacarei a Galiza (Rias Baixas).