Archive for the 'day-to-day' Category

…A propósito…

02/08/2010
Podéis tener Retiro, Casa Campo y Ateneo,
podéis tener mil cines, mil teatros, mil museos,
podéis tener Corrala, organillos y chulapas,
pero al llegar agosto, ¡vaya, vaya!,
aquí no hay playa.
¡Vaya, vaya!
No hay playa.

¡Vaya, vaya!

Podéis decir a gritos que es la capital de Europa,
podéis ganar la Liga, podéis ganar la Copa,
afirmaréis seguros que es la capital de España…
Podéis tener hipódromo, Jarama y Complutense
y , al lado, la Moncloa donde siguen los de siempre,
podéis tener el mando del imperio en vuestras manos,
pero al llegar agosto y el verano…
Podéis tener la tele y los 40 Principales,
podéis tener las Cortes, organismos oficiales,
el Oso y el Madroño, Cibeles, Torrespaña…
¡Escucha, Leguina!
Podéis tener Movida ¡hace tiempo!,
Movida promovida por el Ayuntamiento,
podéis rogar a Tierno o a Barranco o al que haya,
pero al llegar agosto, ¡vaya, vaya!…

“The Refrescos”

Carta aos Reis Magos

05/01/2010

RITA… encontrei-te!

03/12/2009

Rita Lee . Lança Perfume

Rita Lee . Mania de Você

Saudades de… Pataniscas de Bacalhau!

27/10/2009
Pataniscas bacalhau
“Pataniscas” de bacalao
Hay dos formas de hacer las “pataniscas” en función sobretodo del bacalao de que se disponga. La principal diferencia es, normalmente, si el bacalao lo hemos comprado salado o congelado.
Con el bacalao congelado es mas lógico desmigarlo ya después de cocido, por lo que a la vez de hacer el rehogado como en la receta, a la crema de harina y huevos se añaden los trozos de bacalao cocido junto con la cebolla picada, el perejil picado, y la pimienta. En mi opinión, las “pataniscas” no salen tan ricas de esta forma, pero tiene la ventaja de salir con menos grasa.

Las “pataniscas” se pueden comer como tapa o entrante, o bien como segundo plato (em Portugal las comemos también como plato principal acompañadas de arroz de judias rojas)

Ingredientes (4 unid -*multiplicar cantidades en función de los comensales)
– 1 loncha gorda de bacalao desalado (*o 2 de bacalao congelado)
– Aceite (de oliva)
– Aceite (de girasol)
– 1 cebolla
– Pimienta y perejil
– 3 cucharas de sopa de harina
– 1 huevo

Haga un rehogado con el aceite (de oliva) y cebolla muy bien picadita. Añada al rehogado el bacalao desmigado, sin piel ni espinas, y el perejil picado. Condimente con pimienta. Deje que el rehogado coja los sabores y saque del fuego.

Aparte, disuelva las 3 cucharas de sopa de harina en agua y añada un huevo entero. Mezcle bien.
Agregue el rehogado de bacalao a esta crema. (*o el bacalao cocido y desmigado, la cebolla y el perejil picados y la pimienta)
Por si acaso, añadir sal si hace falta (en principio, el bacalao ya viene en su punto de sal).
Se pone el aceite (en Portugal, se fríe con aceite de girasol) a calentar en una sartén y cuando esté bien caliente se va añadiendo la mezcla de bacalao, despacio (a las cucharadas), para que se frían las “pataniscas” hasta que se queden doradas.
¡Espero que os guste!

Veja esta e receita em português em We Are Food

 

Livros “a la calle” VII

12/06/2009
Tinha conseguido deter por completo as lágrimas de Elsi. A menina passou o antebraço pelos olhos para limpar os seus restos. De vez em quando pousava o seu olhar no chão, aos seus pés, mas era sempre para retomar o rumo que conduzia ao rosto do carteiro de bonecas.
A tristeza era o último bastião do seu desassossego.
– Por que não vai buscar a carta?
– Já é tarde, lamento. Há já algum tempo que terminou o meu horário de trabalho, e tu também deves ir cedo para casa, não é?
Elsi olhou o relógio da torre.
– Os ponteiros ainda não estão juntos – assinalou -. Mas sim, falta pouco. A que horas começa o seu trabalho amanhã?
– A que horas desces para vir o parque?
– Quando os dois ponteiros estão assim – pôs os dedos indicadores das suas mãos num determinado ângulo para demonstrar.
– Ah! Muito bem! – exclamou ele -. É justamente à hora que eu começo. Amanhã serás a primeira.
– E vai trazer-me a carta de Brígida?
Por nada no mundo, por criança que fosse, ia esquecer-se dessa carta. Chegaria a casa e passaria o resto do dia a pensar nela. Almoçaria, jantaria e deitar-se-ia sem afastá-la da sua mente. Não havia mais nada. Sem Brígida, já só lhe restava a carta.
Um pequeno grande mundo. Franz Kafka estava convencido de que (…)
JordiSierraiFabra_gr
Jordi Sierra i Fabra (1947), Kafka y la muñeca viajera  

Livros “a la calle” – VI

10/06/2009

Chegou a altura de explicar esta secção dos “Livros a la calle”, explicando também a sua ausência durante algum tempo: os excertos dos textos aqui traduzidos são excertos ilustrados de livros que estão nos vagões do metro de Madrid. Ao acaso, sento-me (ou não) e procuro à minha volta o A4 que me calha nesse dia. É muito interessante, porque encontro-me quase sempre com um texto bastante bom, capaz de me transportar para imaginários bem longe do Metro de Madrid. Pego no IPhone e traduzo directamente.

A razão por que este capítulo se ausentou durante um tempo foi tão simples como ter encontrado uma colega que me passou a dar boleia (adeus metro!), mas por pouco tempo porque entretanto esta colega já se reformou (um grande beijo querida Isabel Ortega!).

Assim voltei e ofereço-vos este fantástico MORRO, tradução (muito) livre do dicionário María Moliner. Palavra riquíssima que encerra tantos significados, para os quais temos expressões portuguesas bastante curiosas.

Espero que gostem!

morro 1 m.(sing.o pl.)

* Focinho de animais
*Lábios de pessoa quando volumosos. Lábios.
2*Saliência semelhante a um focinho, em qualquer coisa (frente de um carro, por exemplo)
3*Monte ou penhasco pequeno e arredondado
4 Penhasco na costa, que serve de referência aos navegantes.
5*Pedra pequena e redonda
beber a morro inf. *Beber de um recipiente ou de uma torneira aplicando os lábios directamente (beber do gargalo)
caer[o darse] de morros inf. Bater com a cara ao cair ou tropeçar
darse el morro vulg. Beijar-se na boca (um casal)
echarle morro inf. Mostrar descaramento em relação a algo:  ‘Le echaron morro y se colaron en el autobús’ (ter lata: “infiltraram-se no autocarro com uma lata…).
estar de morro[s] o poner morro (com alguém) estar zangado e mostrá-lo com gestos ou atitudes (estar de trombas)
por el morro 1inf. Grátis ou sem ter feito nenhum esforço: ‘Aprobó el examen por el morro’ (passou no exame com uma perna às costas). 2inf. Com muito descaramento (com uma pinta…).
sobar el morro[o los morros] inf. Bater em alguém, dar-lhe uma carga de porrada, dar uma sova.
tener morro inf. Ter descaramento ou não ter vergonha. Ter cara de pau, ter lata.
tener alguien un morro que se lo pisa inf. Frase hiperbólica equivalente a tener morro. (como os elefantes: ter uma tromba tão grande que a pisa, mas no sentido de ter descaramento, lata)
torcer el morro inf. Pôr trombas, pôr má cara, torcer o nariz.
MariaMoliner_gr
María Moliner (1900-1981)
Diccionario de uso del español

Livros “a la calle” – V

24/02/2009

– Senhores passageiros, em nome do comandante Flippo, que, por certo, se reincorpora hoje ao serviço depois da sua recente operação às cataratas, vos damos as boas-vindas a bordo do voo 404 com destino a Madrid e vos desejamos uma feliz viagem. A duração aproximada do voo será de cinquenta minutos e voaremos a uma altitude etcetera, etcetera.


Mais habituados do que eu, os parcos passageiros que a essa hora faziam uso da ponte aérea apertaram os cintos de segurança e guardaram atrás da orelha as beatas dos cigarros que acabavam de apagar.

 

Troaram os motores e o avião começou a caminhar com um inquietante balanço que me fez pensar que se se abanava assim em terra, o que não faria pelos ares de Espanha. Olhei pela janela para ver se por um milagre do céu já estávamos em Madrid, mas só distingui a silhueta desfocada do terminal do Prat que retrocedia na escuridão e não pude deixar de me perguntar aquilo que talvez algum ávido leitor esteja já a indagar, isto é, o que fazia um estroina como eu (…)

eduardomendoza_gr 

Eduardo Mendoza (1943)

El laberinto de las aceitunas

Livros “a la calle” – IV

09/01/2009

Uma onda de amor que
vai do meu corpo ao teu é
uma humana canção
Não canta, voa entre
a tua boca e o meu verão
sob o teu sol. O calendário não
tem esta noite ou data no seu papel.
O teu manancial
cai como vinho no copo
e o mundo cala os seus desastres.
Obrigado, mundo, por não ser mais do que mundo
e nenhuma outra coisa.
_juangelman_gr 
Juan Gelman (1930)
Mundar

Um dia mais na cidade…

09/01/2009

img_0197

img_0194

Livros “a la calle” – III

08/01/2009

Filomeno, nem mais nem menos, assim como soa, com todo o direito, um desses nomes que não se podem rejeitar a não ser que se renuncie a si próprio: indeclinável pela lei do baptismo e do Registo Civil, também pela herança, porque o meu avô paterno assim se chamava, Filomeno; e o meu pai empenhou-se em perpetuar, por assim dizer, aquela lembrança do passado, pelo respeito que tinha à memória do seu progenitor, de quem tinha recebido, segundo ele, tudo o que há de bom no mundo e até aquilo que lhe tinha acontecido, com absoluta injustiça no que à minha mãe diz respeito, que não foi mau acontecimento, ele casar-se com ela, ainda que pouco duradouro: como que decidiu abandonar esta vida, a minha mãe quero dizer, quando me trouxe a ela.

Isto foi já há muito tempo, e a ciência carecia então dos remédios de que  dispõem agora as parturientes com febres puerperais. Ah, se eu tivesse nascido quarenta anos depois, só quarenta anos! Que teria sido de mim? Ver-me-ia na necessidade de escrever estas memórias? Claro que não; mas, em troca, tinham-me (…)

gonzalo-torrente-ballester

Gonzalo Torrente Ballester (1910-1999)

Filomeno, a mi pesar