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Cem anos e vinte minutos

13/12/2008

ria-de-aveiro

Quando um tipo faz cem anos já não deve fazer muitas contas à vida. E nem sequer se dá já ao trabalho de contar a própria vida. Em vez de escrever memórias, faz filmes.

Manoel de Oliveira é um cineasta profundamente incompreendido. Quanto mais não seja porque ninguém o compreende. Excepção seja feita a esse outro grande cómico português que é João César Monteiro. Nem o Bénard da Costa chega a tanto. E isto, porque ninguém quer ver o que parece óbvio. É mais do que evidente que Oliveira é o maior cómico português de todos os tempos. Analisando a sua obra com olhos de ver, coisa que os críticos não parecem ter, são notórias as influências de Vasco Santana na sua cinematografia, quanto mais não seja por esse pormenor não pouco despiciendo de ambos terem contracenado em A Canção de Lisboa. É claro que Oliveira prefere a Gertrude do Dreyer à Canção de Lisboa do Cottinelli Telmo, mas isso é uma questão de bom gosto, não de estilo: toda a gente prefere a Gertrude do Dreyer à Canção de Lisboa do Cottinelli Telmo. E a tramóia fica definitivamente denunciada quando percebemos incríveis reverberações de A Canção de Lisboa em Os Canibais: cada um à sua maneira, ambos são musicais.

E o que dizer desse ponto alto da comédia à portuguesa que é Vale Abraão? Só assim se podem entender as gargalhadas que escutei de uma sala a abarrotar quando o vi, pela primeira vez, nos Cinemas King. O público pareceu-me incrivelmente bem disposto. E isto tendo em conta que a história se inspira na Madame Bovary.

Manoel de Oliveira sempre foi incompreendido porque sempre todos o levaram demasiado a sério, o que é injusto, para um homem que apenas queria ser como Charlie Chaplin.

Quando um tipo faz cem anos, o que tem trinta e poucos começa a fazer contas à vida. E pensa: já que a minha vida não dá um filme, pelo menos conto os filmes da minha vida. A Caça. Dura apenas 20 minutos. Há vidas que, realmente, duram pouquíssimo. 

En la Ciudad de Sylvia

01/10/2007

Um filme de José Luis Guerín, rodado em Estrasburgo. Jogo de reflexos, sons, imagens cruzadas de Publi_Cidade. Espaço público e espaço privado. Podia ser uma curta-metragem, mas o realizador é que sabe de quantos metros de película precisa para passar a sua mensagem…

Pere Portabella@MoMa(New York)

01/10/2007

PT – Está patente até dia 6 de Outubro no MoMa (New York) uma retrospectiva dedicada ao realizador espanhol Pere Portabella (Barcelona, 1929), a propósito da estreia do seu último filme “Die Stille vor Bach” – que já tinha sido apresentado no 64º Festival de Veneza (secção Horizontes dedicada às linguagens cinematográficas mais inovadoras). Há 35 anos, em 1972, o realizador já tinha tido uma oportunidade de estrear o seu filme “Vampir-cuadecu”, mas o governo franquista cancelou-lhe o passaporte: vinga-se agora com esta retrospectiva.

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ES – El Museo de Arte Moderno (MoMA) de Nueva York dedica al cineasta Pere Portabella (Barcelona, 1929) una retrospectiva con ocasión del estreno de su última película, ‘Die Stille vor Bach’ (El silencio antes de Bach) – que había ya sido presentada en el 64 Festival de cine de Venecia (sección oficial Horizontes, dedicada a los lenguajes cinematográficos más innovadores). Hace 35 años, en 1972, ya tuvo una oportunidad con el estreno de Vampir-cuadecuc, pero el Gobierno franquista le canceló el pasaporte: ahora se desquita con la retrospectiva que le dedica el museo neoyorquino.

EN – The Museum of Modern Art (MoMA) in New York is holding a retrospective exhibit to celebrate the premier of Spanish director Pere Portabella’s latest film “Die Stille vor Bach”. Thirty-five years ago, in 1972, he had the opportunity to premier his film Vampir-Cuadecuc but Franco’s government cancelled his passport: now he has his revenge with the retrospective exhibit in the museum in New York.

www.pereportabella.com