Isto não é um farol. É uma casa com vista para o mar. Melhor, uma casa rodeada de mar por todos os seus lados. Uma casa-ilha, cujas fundações estão assentes no fundo do mar. É, indiscutivelmente, uma casa marítima.
A casa-farol de New London Edge, situada no estreito de Long Island, a leste da entrada do Porto de New London, foi construída entre 1906 e 1909, e é um raro exemplo, na viragem do século XX, de uma construção aquática em alvenaria e com distribuição interior doméstica.
Entre a cave, um rochedo de betão flutuante, e a lanterna, uma luz reflectida pelas lentes Fresnel, a altura da casa-ilha são três pisos de vida familiar. Tratando-se de uma construção aquática, não é em vão que o seu telhado se remate numas águas-furtadas. O seu sistema estrutural está constituído por um dos primeiros exemplos de uma laje de betão armado. No entanto, ainda tem reminiscências do ferro fundido: uma coluna nasce da água e eleva-se até à lanterna. Mas, pela primeira vez na história da arquitectura faroleira, essa coluna vertebral não possui nenhuma função estrutural, servindo apenas como correia de transmissão do tempo, isto é, levar até à luz os mecanismos de relojoaria que a fazem piscar de 30 em 30 segundos.


