Depois desta looooonga reflexão sobre o tempo, o Zeitgeist devolve-me ao grande Yohji Yamamoto (Yokohama, Japão, 1943).
O Designer na verdadeira ascensão da palavra, ou aquele-que-sabe-extrair-a-alma dos materiais, poderia ter sido um brilhante advogado quando, em vez disso, decidiu ajudar a mãe no seu ofício. Felizmente para nós, esse caminho levou-nos à descoberta (nos anos 80 como agora) de que não só desditas vêm do Japão, mas sobretudo novas formas de esculpir o corpo feminino (e mais tarde também o masculino), formas que se tornam filosofias, filosofias que transformam eras, eras que marcam para sempre as idiossincrasias da moda. Estructurar a desestructura, uma anti-moda que desafia o viciado olhar ocidental – o seu trabalho não se vê melhor abrindo os olhos, mas sim abrindo o espírito. O belo torna-se, nas suas mãos, mais indefinível e desassocia-se de qualquer trejeito decorativo. De repente até, sem que se anuncie, descobre-se mesmo funcional.
(…) Not in the light.”, diz.
Hoje, deixo-vos com um mundo que anuncia Yohji em grandes néons cintilantes: um documentário na forja com estreia prevista para breve (‘Yohji Yamamoto: This Is My Dream‘, by Theo Stanley); um movimento de comemoração de uma década de parceria revolucionária com a Adidas – Y-3; uma exposição retrospectiva no Victoria and Albert Museum patente até 10 de Julho; e uma entrevista exclusiva conduzida pelo director de moda do SHOWstudio.
Eu, por cá fico, reflectindo e acariciando a minha homenagem pessoal ao mestre (o homónimo gato cá de casa).